sentimentos

Tudo perfeitamente errado

A vida é assim…
Quando se planeja demais, tudo pode dar errado.
Essa é a história da minha vida:
Tudo errado conforme o planejado.
Tudo perfeitamente errado.
Completamente fora do lugar.
Do jeitinho que não havia pensado.
Se me sinto mal?
Me sinto deliciosamente imperfeita.
Incomum. Autêntica. Incontrolável.
De natureza singular.
O imprevisto em pessoa,
Esta sou eu:
Um ser insaciável.

Um beijo,
C.

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Créditos: Fotografia de Pixabay

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sentimentos

Se a minha poesia te irrita…

Me desculpe, moço.
Eu não queria interromper seu momento de silêncio.
Mas agora sei que a minha poesia irrita você.
E foram tantos versos, por tantos anos, que até me pergunto como fui incapaz de perceber.
Se ao menos você soubesse o que essa poesia significa para mim, talvez pudesse enxergar uma parte do meu coração.
A poesia é tudo para mim. Absolutamente tudo o que me restou.
É o meu pai. A minha mãe. A melhor amiga que alguém como eu poderia ter.
Só eu sei a dor e a delícia que é viver de poesia.
Se o amor existir, pode apostar, até ele é pura poesia.
Porque vivendo assim, de perda em perda, de dor em dor…
Tive que aprender a ser poesia.

Você não sabe nada de mim.
Você não sabe o quanto eu lutei para chegar até aqui, inteira, com os pedaços do meu coração.
Eu nunca tive a chance de me preparar para a vida. Nunca. Sempre me vi bem ali no campo de batalha. Nua, desarmada e completamente indefesa.
Então não me venha reclamar de poesia!
Porque precisava, sim, de muita poesia para perder uma luta contra o câncer, por anos a fio.
Precisava de poesia para manter meu sorriso no rosto, mesmo quando desfalecia em lágrimas debaixo do chuveiro.
Precisava de poesia para lidar com a morte. Com a tristeza. Com esse vazio imenso no peito.
Para aceitar que, antes mesmo de completar 30 anos, já tinha perdido as pessoas mais importantes da minha vida.
Porque sem poesia a minha alma é vazia e desconhece o amor.
Sem poesia, não tenho mais nada a perder.
A poesia é tudo o que sou.

Um beijo,
C.

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Créditos: Fotografia de Pixabay

 

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relacionamentos

Ilusões não pagam meu vinho

Não posso reclamar que não há esperança: parece que ele quer mesmo mudar. Mas passados dez anos de relacionamento, é difícil de acreditar. E não há um jeito sutil de dizer francamente:

– Deixe essa esperança tola pra lá. As pessoas são o que são. Você é o que é; eu também.

Cansei de viver de ilusões. Elas não pagam meu vinho. Não quero que ninguém mude por mim. Nunca exigi isso dele nem de ninguém.

Hoje só quero acender uma cigarrilha, beber mais uma taça de vinho e me jogar nos braços de Elvis Presley, Sinatra e Ray Conniff… deixando tudo isso pra lá. Não quero problemas enchendo o meu saco. Definitivamente, não quero.

Salud amigos!
Salud, amor, dinero y tiempo para disfrutarlo!

Um beijo,
C.

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Créditos: Fotografia de Pixabay

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relacionamentos

Um Ipê para sempre!

 

“Hoje estava pensando no Ipê… E você sabe que vou lembrar de você para sempre, não é? Porque ele está crescendo no lugar que eu mais amo no mundo. E sempre que estou naquele lugar, olho para ele e lembro de você. Sempre.”
Moço do Ipê

Há poucos anos, aquela menina tímida e distraída decidiu presenteá-lo com uma muda de Ipê. Nem me perguntem de onde tirei essa ideia; só lembro que ele tinha um jardim, e eu quis deixá-lo florido. Lembro até hoje que me senti um pouco ridícula com aquela embalagem nas mãos, na frente de tantos desconhecidos. Nunca pensei que esse gesto marcaria nossas vidas para sempre. Nunca. Mas toda vez que recordo do brilho em seus olhos e daquela risada gostosa… sinto que valeu à pena! Deveria ter levado um caminhão de Ipês Amarelos para alegrar seu jardim.

Dois anos depois, ele estava comemorando uma grande conquista. Fiquei tão feliz que não resisti… Levei flores. Um lindo arranjo de cúrcumas em tons de púrpura. Lembro que era bem charmoso, masculino e apaixonante – exatamente como ele é. Fiz com minhas próprias mãos, de um jeito leve e despretensioso. Naquele dia, acordei bem cedo para escolher flores frescas, e passei horas me divertindo com a criação do arranjo, tentando adivinhar sua cor favorita e até as músicas que ele gosta de ouvir.

Ao sair de casa, estava tão nervosa que até esqueci de colocar os sapatos. De pantufas, encarnei a própria Cinderela voltando para casa com um taxista enfurecido, em busca dos sapatinhos perdidos. Que cena hilária! Isso até me ajudou a descontrair, mas nem de longe quebrou o gelo que senti ao entrar naquela festa tão íntima.

Consegui chegar a tempo de brindar com ele. Só não imaginava que iria congelar no meio do salão. As maçãs do rosto ruborizaram no instante em que o vi. Porque ele brilha, gente. Não sei explicar o motivo; só sei que ele tem uma luz que contagia a todos.

Quando me vi levando flores pela segunda vez, era como se apenas ele existisse no mundo e eu deveria estar ali, exatamente naquele lugar, florindo sua vida. Eu só não sabia o que fazer com tanta timidez. Também não consegui ficar à vontade no meio de seus amigos e familiares. Eu nem mesmo sabia porque estava ali… mas pelo menos escrevi um singelo cartão.

Aquela taça de vinho me salvou! A pausa para fotografias foi outro alento. E ainda foi bom encontrar aquele cara estranho, com quem pude dar boas risadas. Sabe do que não me esqueço? Do seu abraço. Lembro perfeitamente que ele acariciou minhas costas naquele momento – e por muito tempo, duvidei que era real.

Depois de alguns meses, aquele homem me procurou e disse coisas de arrepiar. É curioso pensar que talvez eu seja a primeira garota (que conheço) a conquistar um homem com flores – mesmo sem essa intenção. Talvez nossos (des)encontros não passem de uma doce aventura. As definições não importam. Porque hoje não sei mais se o amor é possível, e confesso que não quero tentar descobrir. Tudo que sei é que Ipês são eternos. São boas lembranças que duram para sempre.

“Árvores são poemas que a terra escreve para o céu” – Khalil Gibran

Um beijo,
C.

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Créditos: Fotografia de Mundo das Montanhas

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relacionamentos

Mais uma tentativa de matar o desejo…

Deveria ser proibido deixar alguém assim, ardendo em desejo, e fingir que isso não é um problema seu. Deveria ser proibido julgar alguém que sente uma vontade absurda de você, e não sabe muito bem como agir. Deveria ser proibido congelar todo esse desejo em noites frias de indiferença, quando na verdade eu sei que você pensa em mim a todo momento.

Deveria mesmo. É muito cruel da sua parte agir assim. Se não consegue ir adiante, nem deveria ter começado. Porque te odeio ainda mais. Não pela sua frieza. Não pela indiferença. Te odeio por me deixar assim, morrendo de desejo, mais uma vez. Pra quê tanto esforço em matar o desejo, justo ele, que é a coisa mais verdadeira que existe entre a gente? 

Se você não sabe, que fique bem claro: prefiro mil vezes um desejo sincero do que um amor de mentira. Porque só o desejo, para mim, é real. Nada pode ser mais concreto do que uma calcinha molhada. Nada.

Um beijo,
C.

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Créditos: Fotografia de Pixabay

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desejos

A vida é um sopro

 

Há tanta vida lá fora
Que hoje meus medos bobos
Saíram para passear
De mãos dadas
Com os seus.

Parece que finalmente
Chegou a hora
De ficarmos a sós.
Apenas eu e você,
Assim,
Bem juntinhos
Em nosso santuário.

Leve-me nesta dança:
Quero ir aos céus
Envolvida em seus braços.
Quero descer ao inferno
Perdida em seus mistérios.
Quero revelar os segredos
Mais íntimos do meu ser
Neste doce devaneio
Que só posso viver com você.
Só com você.

Um beijo,
C.

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Créditos: Fotografia de Pixabay

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relacionamentos

A primeira vez

Não sei como as pessoas conseguem conviver com a sensação horrorosa que é bloquear alguém que as desapontou. Sério. Porque apertar aquele botão é como jogar no liquidificador toda raiva, medo, ansiedade e incerteza, colocar algumas pitadas de adrenalina e deixar bater, começando pela velocidade um, passando para a dois, três, quatro, cinco…. até obter uma mistura bem homogênea que dá origem a essa sensação intensa que explode no peito, e se prolonga por horas a fio. Parece até uma droga.

É como se este fosse o único caminho possível para restabelecer a paz interior – mesmo tendo que passar ileso por um vulcão em plena erupção.

A grande verdade, sabe qual é? A escolha pelo silêncio não passa de uma tentativa infeliz de invocar a razão, quando tudo que você precisava era de uma tórrida noite de amor com muito sexo selvagem.

Agora me diz: vou sobreviver?

Um beijo,
C.

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Créditos: Fotografia de Pixabay

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